Toda essa carniça humana
Se faz numa grande pintura
Em cores pálidas de tortura
É a exposição da dor
Nos tons não há calor
Que afague o olhar de alguém
Somos todos ninguém
Feitos em traços impuros
A vida não tem rascunho
E nessa obra escura
O amor se borra, se mistura
E se perde na solidão
A carniça nega o perdão
E acredita ser obra-prima
Mas não passa de podridão.
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