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Leste a Oeste

Teu abraço todo distorcido
Resseca em meio ao fogo do verão
As vozes da chama gritam perigo
Teus filhos morrem em calor em vão

Mãe natureza te implora perdão
Por ser tão rica, gigantesca
E tão facilmente ferida
Pela tua egoista opressao

Me desfaço em fina poeira
E rendida, de mãos para o alto
Te arrasto para a fogueira
E tuas cinzas me dão as mãos

A paz está perdida em ferrugens
Desde o início da nossa história
A guerra evapora como água de rio
E cai em tempestade por aí a fora

Os lados do mundo estão distorcidos
De leste a oeste, não há vitória

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Natureza Selvagem

Teus dedos nus Protegem-me desses sonhos crus No meio dessa grande fauna homogênea Teus lábios cálidos Aquecem-me... Solitários Em noites frias de céu azul Teus braços brutos Agarram-me como num dilúvio Em lençóis brancos, suados, molhados... E todo esse amor carente Se esconde em sorrisos tímidos E floresce em jardins ardentes A tempestade arrebol que incendeia a floresta Atinge toda a fauna Enfurece todas as feras Mas não há nada nessa natureza atroz Que consiga destruir o elo entre nós E, de escarlate, manchar nosso peito As feras se encantam pela carne em nós Todavia morrem todas sós Envenenadas pela inveja dos sentimentos

Paisagem preferida

Teu tom dourado brilha meu olhar Me deixa tão sem jeito Rouba todo o meu ar O sol nasce com teu sorriso Manda embora todo o escuro omisso Tira meu coração do lugar Teu abraço levanta meus ancejos Todos os meus gritos ficam mudos Quando encontram com teu beijo Tu és o guardião dos meus planos Do mais bobo ao mais insano Paisagem preferida dos meus olhos castanhos

Uma solitária paulistana.

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