As lágrimas não são transparentes por acaso
Elas são soturnas e tímidas, não querem ser notadas
São como canções esquecidas de amor
Para os outros elas não são nada
As lágrimas são úmidas somente em rosto sozinho
São egoístas, frígidas e pálidas
São como poesias jogadas no escuro
Inúteis, ilegíveis, todas sujas pelo chão e amassadas
Nesses olhos tristes não há sorrisos cálidos
Existe apenas um fitar longínquo
Perdido em céu arrebol, ensanguentado
Nesses olhos tristes não há brilho
Existe apenas a cegueira amedrontada
Pois em céu nublado as estrelas não brilham
Chamo isso de abandono meus amigos
Ou deveria chamar-los de pensamentos criados?
Nossas mãos já não mais se tocam, meus amigos
Pois o pranto de meus pulsos as mancharam
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